Boiadeiro Chico Sertão



Chapéu de pião, na prosa de chico-sertão, caboclo valente, tocador de espora não de viola, não tinha medo de major, nem de sinhozinho de fazenda, gostava mesmo de ficar mudo, como galho seco rejeitando água.


Quando queriam falar com Chico, ele saltava de banda, não tinha compromisso de falar e quando forçava o matreiro falar, sua voz saia como um coice de burro; todo mundo respeitava o caboclo valente;

Chico tinha dor de alma, era seco, por isto era chico-sertão, boiadeiro sem dono, solto no mundo sem porteira, Chico não era doutor, mas sabia soltar os bois e tocar a boiada, Chico vinha do Sertão, aprendeu a dizer não, e sabia que a morte era o destino, era tudo.

Chico um dia adoeceu, nasceu boi, se montou, sem motivos, conduziu como vaqueiro os bois do sertão. Era braço forte, e seguiu assim sua vida, engordando e vendendo gado, seguia sempre calado, era boiada, Chico era sertão, Chico era boi brabo.

Mas o mundo foi girando, e no giro a história foi passando, todo boi já foi rei no chão e todo chão já foi casa de boi e peão. Lá pras bandas do sertão, um dia bem cedinho, depois de se alevantá e acaricia o cavalo Aquidabã, ele caiu ajoelhado, tal qual o cavaleiro no rezado.

Dizem que Chico-sertão, urrou como boi no ajoelhado, e no acolhimento dos outros peões, conta-se que se via dos olhos de Chico-sertão um gota de água que salvou o sertão.

Hoje quando chove do céu, na terra sertão, dizem que o povo vê Chico-Sertão, mas não é qualquer chuva não, é somente na chuva que cai com o gado no chão.
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